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Sangue novo na bateria brasileira

03 de julho de 2012, por Site Batera

Theo "Zagrae" Moraes de Lima, nascido no Rio de Janeiro, aos seis anos, iniciou o seu conhecimento teórico na escola de música do maestro e amigo, Antônio Adolfo, destacando-se nos instrumentos, piano, violão, canto e bateria.
Filho de Téo Lima, um dos maiores músicos e produtores do Brasil, Theo traz grande influência e herança musical, convivendo com grandes artistas, músicos, diretores e produtores desde a sua mais tenra idade.
Teve participação ativa nos arranjos do DVD da Diva “Dionne Warwick”, gravado no Brasil. Participou também do DVD "Saudades de Casa", de Ivan Lins e passeia pelos mais variados gêneros musicais, tendo tocado com Dom Braga, Com3, Pedro Moraes e Hananza Andrade, Bel Spalla e Pablo Martins.
Em turnê com a cantora Mart'nália, Theo reservou um tempinho para bater um papo com o site Batera. Confira!
Site Batera: Você poderia fazer uma breve introdução sobre o seu contato inicial com a música?
Theo Zagrae: Meu primeiro contato com a música foi ainda dentro da barriga da minha mãe. Ela grava muito com o Lincoln Olivetti, Gil... mas depois eu, como qualquer criança, passei a fazer tudo que os pais fazem, então comecei a frequentar estúdios, show, passagens de som, e sempre tive muito interesse nessa profissão, era um sonho mesmo. Mais tarde meu pai me “torturou”, me pondo numa escola de música, mas, estudando piano, o que eu não queria de jeito nenhum... eu mal sabia que isso ia ser muito importante mais tarde!
Site Batera: Quais as influências que você traz “de casa”? Estudou algo com seu pai?
Theo Zagrae: Meu pai é o meu ídolo, o cara me deu tudo que um músico precisa para ter sucesso. Desde técnicas até a parte psicológica.
E sobre estudo teórico, ele sempre me fez estudar muito o “double” (papa mama), acentuações, paradiddles. Ele me fez também estudar bastante o máximo de ritmos possíveis, conhecer bastante os ritmos brasileiros, as nuances de cada um, as particularidades... para que, durante a execução de qualquer música ou estilo musical, eu tenha o máximo de repertório guardado no “HD” e  fazer com que a bateria não soe como um instrumento de acompanhamento, mas sim uma estrutura para música poder fluir.
Site Batera: Qual a relação que você faz entre bateria e harmonia? Não só na composição, mas no play também.
Theo Zagrae: Pra mim o que define essa relação é o bom gosto e bom senso independente do estilo que você toca, não adianta mostrar mais do que a música pede. 
Tento fazer com que a minha bateria soe dentro da harmonia, e não à parte dela. Normalmente tento entender o que a música precisa, e a partir dai vou achando a levada, o groove, a interpretação.
Site Batera: Você dá importância para a técnica? O que você pratica?
Theo Zagrae: Dou muita importância à técnica, mas para mim ela é a ferramenta para eu poder fazer o que eu estou imaginando durante a música. A técnica para mim não pode ser encarada como primeiro elemento de criação.
Pratico bastante papa-mama pra aquecer, alguns paradiddles, drags, flams. Meu primeiro método foi o do Gene Krupa, que para mim é um dos mais completos.
Sobre esse método tem uma história bem legal com o meu pai. Ele chegou com esse livro, que parecia que tinha saído da guerra, todo amarelo, capa solta, e me falou – estuda isso ai!
Eu peguei o livro e fui para o quarto estudar né... Em uma semana tinha terminado tudo, e estava me achando o cara... Fui, mostrei pra ele e ele me disse: “Ah legal, mas agora inverte mão direita com o pé direito”. Foi aí que começou o estudo mesmo. Ele foi conduzindo o método comigo e todo invertido, o que é bem comum nos outros métodos, mas no Gene como é “simples” fica muito complicado (risos).
Site Batera: Como você busca o groove/feeling certo para cada situação?
Theo Zagrae: Pois é, essa pergunta é muito boa, por que hoje em dia eu vejo que muitos bateras focam muito em técnicas e tal, mas esquecem o “feeling”. 
Quando escuto uma música, eu imagino um cenário em que ela seja o fundo, depois imagino as pessoas que estão nesse cenário ouvindo e a partir daí eu começo tentar tocar o que essas pessoas (no cenário) queiram ouvir, para que a música seja passada com clareza.
Essa é uma questão de gosto e influências. Não dá para dizer quando é certo e quando é errado. Quer dizer, se a bateria começa a atrapalhar o andar da música, ai sim tá errado!
Site Batera: Como você iniciou o processo de coprodução? Você já fez trabalhos importantes, como com Dionne Warwick, por exemplo.
Theo Zagrae: Todo mundo conhece meu pai como baterista, mas ele é muito conhecido também produzindo. Ele já tinha trabalhado com a Dionne em 94, no disco “Aquarela do Brasil” e, há um tempo, ela voltou ao Brasil querendo fazer um DVD com participações de brasileiros, e foi ai que o meu pai me pôs pra ajudá-lo a executar esse projeto, da parte da concepção até os arranjos.
Ele estava gravando o DVD “Saudade de Casa” do Ivan Lins no “Mega Estúdios” no estúdio de cima, e eu fazendo demo, arranjos no estúdio de baixo, foi muito legal.
Isso foi muito importante para mim, porque foi a primeira vez que “trabalhei” com ele.
Site Batera: Como está sendo trabalhar com a Mart’nália? O processo de gravação, os shows?
Theo Zagrae: Foi tudo muito maluco, talvez algumas pessoas devem ter pensado que meu pai me pôs no disco, ou alguma coisa assim, mas foi mais louco ainda! Eu acordei por volta do meio dia com a ligação do André Siqueira me dizendo que a Mart'nália queria falar comigo no facebook (é mole), eu corri pro computador, e quando eu abri a página, estava lá, mais ou menos assim: “Fala theozinho, vai fazer o que hoje? Gravação às 16hs beleza?”. Botei a batera no carro e corri pra lá, quando cheguei, pude ver o que estava se passando.
Imagina, um batera com pouquíssima experiência sendo jogado numa gravação de um disco com produção do Djavan, com Renato Fonseca, Tavinho Menezes, Arthur Maia, André Siqueira, Max Viana e Mart'nália?! Rapaz, isso dá um medo! Eu era fã de todos eles... trabalhar com eles foi demais.
Eu já conhecia o Djavan por meu pai ter trabalhado muito tempo com ele e tal, mas nunca tinha visto ele num estúdio gravando, muito menos produzindo.
Eu ficava na salinha de bateria pensando e ouvindo o “Dja” falando... tinha hora que eu não acreditava, mas nessa hora acho que fui maduro o bastante pra encarar tudo e poder fazer parte do projeto até mais do que eu imaginava. A música “Depois Cura” acabou saindo com um arranjo coletivo do Arthur, Renato, Tavinho e eu.
O “Dja” conduziu o disco de uma forma bem orgânica, bem natural, sem aqueles ranços de estúdio. A gente ouvia as demos no dia. Ele e a Mart'nália discutiam se valia a pena gravar a música e, a partir dali, ele começava a criar, a arranjar a faixa ali na hora... E sempre deixando os músicos super à vontade para o diálogo, para sugestões. 
A turnê está rolando super bem e está sendo muito bem recebida pela crítica e pelo público, que é o mais importante, assim como o disco.
Site Batera: Quais seus outros projetos?
Theo Zagrae: Estou terminando a produção junto com o Pedro Moraez do novo CD do Dom Braga, um artista de MPB daqui do Rio de Janeiro e amigo nosso há muito tempo. Estou começando a produção, também com o Pedro, do CD da Hananza Andrade também. Ela é uma cantora de soul, mas tudo bem abrasileirado. Estudo também a ideia de gravar um CD próprio de música instrumental, mas um instrumental bem popular, nada muito “música pra músico”. Quero incluir o Rap, Samba, Funk (o legítimo) de um jeito bem Pop.